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ENTREVISTA DO MÊS
- Antigos Alunos -
Nome completo: Adélia Travanca
Idade: 30 anos
Naturalidade: Elvas
Nome completo: Sérgio Marinho
Idade: 34 anos
Naturalidade: Moçambique - Beira |
“Aconselho vivamente este curso, a quem gosta de
natureza, agricultura e quer aprender a gerir…” , Adélia Travanca
“É um óptimo curso, muito polivalente…”, Sérgio Marinho
Nesta entrevista vamos poder ter os testemunhos de dois antigos
alunos de Engenharia Agronómica da ESAE, Adélia Travanca e Sérgio
Marinho, ambos a trabalhar na VITACRESS produtora de Agrião,
Rucola, Espinafres de Folhas Tenras, e mais de 20 outras Folhas
Tenras, bem como Mizuna, Acelga vermelha e folha de Mostarda. Esta
empresa produz também um leque de especialidades de vegetais, tais
como as Batatas Primor.
Adélia Travanca, 30 anos, natural de Elvas Sérgio
Marinho, 34 anos, natural de Moçambique – Beira
 - Como
surgiu a oportunidade de trabalharem na VITACRESS?
Adélia: No meu caso, já conhecia um pouco o
trabalho da Vitacress dado que trabalhava numa empresa
relativamente perto, na zona de Odemira, para além de ser
consumidora nata dos seus produtos. Tive conhecimento da vaga para
“Gerente de planeamento” pelo jornal Expresso, candidatei-me e
após algumas fases de selecção acabei por ficar colocada.
Sérgio: A Vitacress e a Wellpict Portugal (a
anterior empresa onde trabalhei) pertencem à mesma associação a
AHSA (Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano), deste
modo, já tinha tido contacto através de reuniões, actividades e
formações. E principalmente, surgiu porque existia um conhecimento
do meu trabalho, uma vez que entre nós técnicos, das diferentes
empresas, muitas vezes trocamos experiências.
- Muitos de nós já vimos e já adquirimos os produtos da
VITACRESS no supermercado, pelo que de alguma forma esta empresa
já nos é um pouco familiar. Na próxima vez que virmos VITACRESS
é inevitável lembrarmo-nos de que vocês lá trabalham. É com
satisfação que encaramos isso. Ficamos no entanto, com alguma
curiosidade. Que funções é que desempenham?
Adélia: Faço parte do Departamento de Operações
e, como Gerente de Planeamento as minhas funções são: planear as
colheitas, assegurar o bom funcionamento das operações da fábrica,
maximizando a eficiência de cada processo, assim como sou
responsável pela secção de armazenagem de material de embalagem,
fazendo parte da gestão de stock destes mesmos.
Sérgio: Sou Agrónomo Assistente. Pertenço ao Departamento
de Agronomia e entre outras tarefas damos apoio técnico, ensaios
de novas variedades, ensaios de novos produtos (fertilizantes,
pesticidas), autorização de usos menores, apoio legislativo, além
disso fazemos “crop avaluation” que é um relatório de situação
para descrever a cultura em termos fitossanitários. E também
participamos nas várias certificações (Globalgap, Field to Fork,
Leaf etc..)..
- No caso particular da Adélia e no início da sua vida
profissional houve um episódio interessante que nos leva a crer
que temos sempre que arriscar, acreditando: respondeu a um anúncio
que a ESAE tinha recebido e que estava afixado há alguns meses
quando o encontrou e que aparentemente levava a crer que a empresa
já tivesse preenchido a vaga. Consegue-nos relatar com mais
detalhe esse episódio??
É verdade, estava uma oferta de emprego afixado para
“Responsável de Armazém” numa empresa Belga produtora e
exportadora de “Proteas”, à qual por alguns incentivos de
elementos da ESAE, mas com pouca esperança desta vaga permanecer
em aberto, decidi telefonar para saber o ponto da situação.
Realmente a pré-selecção já estava feita e os 3 candidados
escolhidos para a entrevista final. Neste mesmo telefonema as
perguntas e conversa foram fluindo de forma muito natural,
funcionado quase como uma entrevista prévia, acerca das minhas
habilitações, experiência (que era muito pouca),.... E perguntei
“se haveria alguma hipótese de me entrevistarem, mostrando-me
disposta a fazer 300 Km na data que mais lhes conviesse. Quando
ouvi um “Sim! Ok! Vamos abrir uma excepção!”, nem quis
acreditar...... pois é devemos sempre arriscar!
- E
no seu caso, Sérgio, como é que teve início a sua carreira
profissional?
Estive na Wellpict Portugal cerca de 3 anos, primeiro como
responsável pela fitossanidade, depois como responsável pela
produção, onde para além da fitossanidade, passei a ser
responsável pela rega/fertilização. A Wellpict Portugal é uma
empresa que tem feito um trabalho fantástico no antigo terreno da
Odefrutas do famoso Rossell e a meu ver, é uma óptima escola para
quem quiser aprender tudo acerca de morangos.
- Qual tem sido a vossa experiência profissional?
Falem-nos um pouco das funções que têm desenvolvido nas várias
entidades patronais para as quais trabalharam?
Adélia: Para além de trabalhos temporários como
formações, campanhas de vindimas,....os 4 anos que estive na
Protea Ibérica como responsável de armazém onde faziamos a
preparação e embalamento de flores, tive a meu cargo uma equipa de
cerca de 10 pessoas. Mas, fazia de tudo um pouco, para além de
estimativas de colheita e respectivos planos, preparação da
produção, compra de matérias-primas, logística, comercial e até as
funções mais básicas de administração. Sim, estava a fazer muito
para além das minhas funções, mas a empresa ainda não tinha
estrutura para comportar diferentes departamentos e, além do mais,
para entrarmos no mundo do trabalho e fazer com que os colegas e
superiores hierárquicos acreditem em nós e no nosso trabalho temos
de ser polivalentes e claro, “vestirmos a camisola”.
- Da vossa experiência pessoal, como é que encaram o
mundo do trabalho actualmente? Que características é que vos
parece que um bom profissional deva reunir para garantir alguma
afirmação e evolução no mercado de trabalho?
Adélia: Muito competitivo, é necessário ser
persistente mesmo quando ouvimos um “Não”, mesmo quando não temos
a posição/decisão mais confortável para exprimir. Sim, porque
baixar os braços é muito mais simples, mas gostar do se que faz,
lutar com garra, abraçar os projectos como fossem nossos, sentir
aquela ansiedade de ir cada vez mais longe e alcançar pequenas
conquistas, que nos fazem acreditar, tornando-nos, cada vez mais,
fieis aos nossos princípios e valores. Julgo que quem consegue ter
esta atitude e um bom poder de encaixe, só falta mesmo é a
oportunidade, e como alguém dizia.....”ela não se
encontra....procura-se”.
Sérgio: Na minha
perspectiva no início, é necessário, um grande espírito de
sacrifício, para poder estar meses a trabalhar 12 horas com um
ordenado que, por vezes, é pouco convidativo. É necessário ser
organizado, humilde, persistente, polivalente, ter “savoir faire”,
poder de encaixe. Estas características aliadas a muito estudo na
nossa área dão-nos, passados uns anos, a profunda convicção que
somos, francamente capazes e estamos preparados para abraçar novos
desafios.
- Partindo do princípio que as Escolas devem ser locais
onde decorre um processo formativo (transmissão de conhecimentos)
mas onde, cada vez mais, é fundamental que haja também um processo
educativo (transmissão e sedimentação de valores e de princípios)
sentem que a formação que receberam na ESAE os tem ajudado?
Adélia: Sim, bastante. O facto de ter
pertencido à 2ª turma da ESAE permitiu-nos amadurecer em conjunto,
mais troca de experiências dado que tinhamos uma maior aproximação
aos funcionários, professores e colegas, No fundo deram-nos as
ferramentas, valores e princípios essenciais para nos
desenvolvermos no mundo profissional, e acredito cada vez mais que
a sedimentação destes conhecimentos são no terreno, no verdadeiro
mundo profissional.
Sérgio: Essa questão
tem sido o meu cavalo de batalha, pois não nasci numa família de
agricultores e por isso não detinha certos conhecimentos práticos
necessários, contudo tenho sido agraciado com novos desafios e
acho que consegui alcançá-los muito pelos meus valores e
princípios ou, como Daniel Goleman lhe chama, a Inteligência
Emocional. Claro que o saber técnico é importante, mas passa a
secundário quando a pessoa é carismática, empreendedora, lutadora,
de princípios e valores e que sobretudo tenha inteligência
emocional. Os anos que passei na ESAE foram excelentes anos,
cheios de conteúdo e muito intensos, em que tentei participar em
tudo o que estava ao meu alcance. A minha formação foi uma boa
base, mas é agora que posso consolidar os meus conhecimentos,
estando numa constante aprendizagem e estudo.
- Há alguma mensagem especial que queiram deixar aos
vossos actuais colegas de curso e a alunos que venham a ingressar
em Engenharia Agronómica?
Adélia: Aconselho vivamente este curso, a quem
gosta de natureza, agricultura e quer aprender a gerir, sim porque
a parte do negócio é que nos permite levar um projecto a cabo.
Esta Escola está recheada de pessoas simpáticas, bons professores
capazes de formarem bons profissionais e nos lançarem no mercado
de trabalho. Sim porque o mercado não está saturado, está sim com
sede de pessoas com entusiasmo, pró-activas, e sem medo da
mudança....arrisquem, arrisquem sempre é o meu conselho.
Sérgio: É um óptimo curso, muito polivalente e
sinceramente acho que o mercado de trabalho na nossa área ainda
não está saturado. Aproveitem tudo todos os dias, mas tudo mesmo,
tanto na diversão como no estudo. Tentem ser tão bons a
divertirem-se como a estudar e vão ver que vão ser capazes.
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Marta Ferreira - Engenharia Agronómica
Joana Neto do Rosário e Silva - Enfermeira
Veterinária
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ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE ELVAS 2007 |
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